Com Ibovespa mirrado no mês, Gerdau sobe 27% e siderurgica é destaque

Com a alta do dólar de quase 6% roubando a atenção dos investidores no Brasil, quem apostou nos papéis da companhia, que fez dobradinha na liderança do índice, se deu bem.





Num mês em que o Ibovespa fechou praticamente estável, o setor siderúrgico foi, de longe, o maior destaque na B3. E, com a alta do dólar roubando a atenção dos investidores no Brasil, quem decidiu se arriscar em novembro comprando ações da Gerdau se deu muito bem, obrigado.


Os papéis da Metalúrgica Gerdau, com alta acumulada de 24,36%; e os do Grupo Gerdau, com 26,91% de ganhos; fizeram dobradinha na liderança do Ibovespa no mês que acaba nesta sexta-feira (29) para os investidores. Enquanto isso, o principal índice de ações da bolsa brasileira apresentou mirrado 0,95% de valorização no período (leia mais abaixo porque o aço "brilhou").


Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em levíssima queda de 0,05%, aos 108.233 pontos.


Das 68 ações em sua carteira, 35 subiam no fim do dia; 32 caíam; e uma estava estável. Foram movimentados R$ 10,6 bilhões pelos papéis, abaixo da média diária de R$ 12,5 bilhões em 2019.


O principal peso para baixo no Ibovespa nesta sessão veio das ações da Petrobras, empresa com maior participação no índice. Os papéis preferencias (PN, que dão preferência por dividendos) da estatal caíram 1,29%; os ordinários (ON, que dão direito a votos em assembleias), 1,23%.


Esse recuo responde à especulação de que a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e seus aliados, que atuam em sistema de cartel, decidirão por não estender a redução de suas produções na reunião marcada para a próxima semana, em Viena, na Áustria.


Com a sensação dos investidores de que a oferta da commodity estará acima de sua demanda, preços acabam sendo pressionados a cair. Os contratos para a compra de barris em fevereiro caíam 4,39% em Londres (Brent, referência mundial); em Nova York (WTI, referência dos EUA), a queda para janeiro era de 5,05%.


O dólar comercial encerrou o mês com alta diária de 0,57%, aos R$ 4,2397 – e com a maior alta acumulada de novembro entre os ativos negociados no mercado financeiro do Brasil, de 5,73%.

Aço brilhando (sem trocadilhos)


A alta do preço da moeda americana em reais é um dos motivos que fez as ações de exportadoras, como a Gerdau, voarem, diante da expectativa de aumento em suas receitas quando convertidas para a moeda brasileira.


Mas fatores ligados especificamente ao setor siderúrgico e de miração completam a explicação do avanço dos papéis das empresas do ramo.


“Várias das companhias siderúrgicas elevaram preços de comercialização de aço nos últimos tempos”, diz Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais, apontando essa como uma das principais razões para a valorização das ações dessas empresas. “Além disso, quase todas elas são produtoras de minério de ferro, que também andou subindo, batendo acima dos US$ 90 dólares por tonelada no mercado da China”, diz.


No fechamento desta sexta, o minério de ferro fechou em alta 0,74%, a US$ 87,46 por tonelada no porto chinês de Qingdao. Em novembro, acumulou alta 1,73% e, no ano, de 20,25%.


Também ajuda a entender a forte valorização do segmento, descolado do desempenho tímido do Ibovespa no acumulado de novembro, a expectativa de alta na demanda interna de aço. O pano de fundo dessa previsão é retomada da atividade econômica brasileira em 2020.


Além disso, a Gerdau povoou o noticiário corporativo no Brasil ao anunciar, na última quarta-feira (27), acordo definitivo para compra de 96,35% do capital social da Siderúrgica Latina-Americana, a Silat. Para a compra da produtora cearense de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, a companhia desembolsou US$ 110,8 milhões.


Embora as ações da Gerdau tenham ficado vários pontos percentuais à frente da maior parte da concorrência na B3, quem apostou em outras empresas ligadas à mineração e siderurgia não tem muito do que reclamar diante do avanço anêmico do Ibovespa em novembro.

As ações da Usiminas subiram 17,22% em novembro; as da CSN, 6,44%; da Vale, 5,89%; e da Bradespar, que integra o controle da Vale, 6,84%.


Outras "mais mais" do Ibovespa


Em fim de mês marcado pela Black Friday, quem mais subiu na bolsa nesta sexta entre as varejistas foi a Via Varejo, 2,56% – companhia que também teve alta forte na B# no acumulado de novembro, de 18,73%.


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“A Via Varejo ainda tem apresentado resultados tímidos, mas está num momento de transição [recentemente, a família Klein retomou o seu comando], o que deve trazer bons retornos nos próximos três anos”, diz Rafael Pananko, analista-chefe da Toro Investimentos.

Analistas e investidores tem olhado com maior carinho para essas ações, esperando que a empresa ganhe mercado de grandes concorrentes pelos próximos tempos – é o caso da Magazine Luiza, que hoje domina o comércio eletrônico brasileiro, e cujas ações caíram 1,25% neste pregão; no mês, subiram 0,87%.


Os papéis da Suzano, empurrados pela expectativa de alta de preços da celulose e com o câmbio aquecido, acumularam alta de 18,14%. A maior exportadora da commodity no mundo foi beneficiada pelo anúncio de redução de seus próprios estoques, o que gerou a previsão de menor oferta mundial e, como desdobramento, subidas de preços e receitas pela frente.


O principal destaque negativo do Ibovespa caiu no colo da companhia de viagens CVC, com recuo acumulado de 21,65%. A companhia de viagens entrou em desgraça entre investidores, sobretudo, após divulgar seu balanço do terceiro trimestre, quando teve queda em seu lucro líquido de 3,6% na comparação anual.


Pesa contra os papéis da empresa também a alta do dólar no mês, já que o número de viagens para o exterior, consequentemente, tende a cair. O câmbio salgado também levou para o campo dos piores resultados de novembro os papéis da Gol, com queda acumulada de 6,94% - pressionada por ter a maior parte de seus custos em dólares, mas receitas majoritariamente em reais.


Já as ações da Azul, com alta acumulada no mês de 1,10%, teve a pressão cambial de baixa contida, principalmente, com o anúncio de aumento de 25% na sua oferta de assentos para a temporada de verão.



Por: Por Gustavo Ferreira, Valor Investe — São Paulo

Fonte: https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/bolsas-e-indices/noticia/2019/11/29/com-ibovespa-mirrado-no-mes-gerdau-sobe-27percent-e-siderurgia-e-destaque.ghtml